Ler um ensaio clínico do começo ao fim é o jeito mais lento de avaliá-lo. Existe uma ordem de leitura que responde mais rápido à única pergunta que importa no início: este estudo merece o meu tempo?
1. Quem foi estudado
Vá direto aos critérios de inclusão e à tabela de características basais. Se a população não se parece com a que interessa, o resto é curiosidade.
2. Qual era o desfecho primário — e ele foi pré-registrado?
Compare o que está no artigo com o registro do estudo. Desfecho trocado no meio do caminho é o sinal de alerta mais informativo que existe.
3. O tamanho do efeito, em absoluto
Procure o número necessário para tratar, ou calcule. Risco relativo sozinho é a apresentação mais generosa possível dos dados.
4. O intervalo de confiança
Onde estão os limites? Um intervalo que vai de “irrelevante” a “transformador” é um estudo que ainda não respondeu à pergunta, mesmo com p<0,05.
5. Perdas de seguimento
Quantos saíram, e por quê? Perda assimétrica entre os braços costuma explicar mais o resultado do que a intervenção.
6. Conflitos e financiamento
Não invalida nada por si só. Mas calibra a leitura das escolhas de desenho e da ênfase da discussão.
Se as seis paradas passarem, aí sim vale ler o método inteiro. Se travar na segunda, você economizou quarenta minutos.