Quem escreve para a indústria farmacêutica opera sob um conjunto de regras que não é opcional e que raramente é ensinado na graduação. As Good Publication Practice definem como publicações patrocinadas devem ser conduzidas para serem éticas — e para não serem rejeitadas.
Autoria não é cortesia
Os critérios do ICMJE são cumulativos: contribuição substancial ao trabalho, participação na redação ou revisão crítica, aprovação da versão final e responsabilidade pela integridade. Quem não cumpre os quatro não é autor — mas deve ser reconhecido nos agradecimentos.
O papel do medical writer é declarado
Apoio profissional de escrita é legítimo e comum. O que não é aceitável é ser invisível. A contribuição precisa constar, junto com a fonte de financiamento. Omitir isso é o que caracteriza ghostwriting — e o que derruba a credibilidade do artigo se vier à tona depois.
Na prática, isso significa
- Registro do estudo antes do recrutamento, e o número do registro no manuscrito.
- Resultados publicados independentemente de serem favoráveis ao patrocinador.
- Acesso dos autores aos dados completos — não apenas ao relatório resumido.
- Declaração explícita de conflitos de interesse de todos os envolvidos.
A pergunta que resolve quase toda dúvida de GPP: se isto aparecesse na primeira página de um jornal, o processo se sustentaria sozinho?
Onde os manuscritos tropeçam
Quase sempre na autoria — listas infladas por hierarquia, ou encolhidas para esconder o patrocínio. E na descrição do apoio editorial, deixada para o fim e escrita às pressas. Ambos são evitáveis com uma conversa no começo do projeto, não no envio.